09/10/2007
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Existem coisas que o dinheiro não compra. Uma delas é a realização profissional. Estar realizado no trabalho não implica ganhar um grande salário e vice-versa. Muitos apostam em uma carreira por ilusão ou romantismo e acabam se decepcionando. É algo que vejo muito em quem trabalha com desenvolvimento de software.

Tudo começa assim: o garoto (ou garota) entra na área por gostar muito de computadores, achando que nasceu para isso. Mas não sabe o que vai fazer depois que terminar o curso. Você tem idéia de todo o trabalho que envolve desenvolver um software de qualidade? Sabe os conhecimentos necessários para poder fazer um trabalho de bom nível? Sabe o quanto o mercado exige fora da sala de aula?


É muito alta a evasão de alunos nas faculdades de computação e desenvolvimento de software, em geral. Mas isso se deve a uma grande expectativa que se têm ao prestar vestibular, que não é satisfeita durante o curso. A grande maioria abandona a faculdade depois de ver disciplinas de lógica ou linguagem de programação, que são divisores de águas. Ué, mas será que estes garotos não sabiam que iam ver isso na faculdade?

Não, a maior parte não faz nem idéia. E quando vêem pela primeira fez, é um grande baque que tomam. Poucos são os que já chegam aos bancos da universidade realmente sabendo o que os espera pela frente. Daí, depois desse susto inicial, há 3 caminhos a seguir: a) aprender na marra; b) desistir do curso; c) não aprender e continuar no curso.


A última opção é a mais preocupante, na minha opinião. Porque ao decidir aprender e se aprofundar naquilo, o aluno deslancha e suas chances de sucesso são bem grandes. Ao desistir do curso, ele pode tentar outro no qual ele realmente tenha aptidão e possa ser um profissional de sucesso. Já aquele que não aprende, mas continua no curso, é um caso complicado. Porque não aprendendo, ele não gosta; não gostando, ele terá dificuldade de arranjar um emprego; arranjando um emprego, ele nunca estará satisfeito, não importa quão bem pago ele esteja sendo para isso.

E para quem só gosta de programar, é perfeito, não é?

Não. Você não só verá programação no curso. E dependendo da universidade, a maior parte do conteúdo é teórico, abrindo pouco espaço para aulas práticas. Você também terá que ter em mente que verá outros conteúdos, dependendo da grande curricular do curso: alguns vêem administração, contabilidade, estatística, gerenciamento de projetos, etc. Todas as disciplinas são importantes e servirão como base para que você se torne um bom profissional. Quanto mais conhecimento, mais preparado estará.


Por isso, seguem alguns conselhos para você que pensa em fazer faculdade para ser um analista de sistemas ou desenvolvedor de software:

- Converse com pessoas que trabalhem na área. Pergunte o máximo que puder, tentando pegar vários pontos de vista.

- Se possível, faça uma visita à uma universidade e peça permissão para assistir uma aula como ouvinte, para ter uma noção do que o aguarda.

- Procure conhecer a grade curricular da faculdade que você pretende cursar, pesquisando na internet aquelas disciplinas que você não faz nem idéia do que seja.

- Faça um curso de programação, qualquer um. "Ah, mas eu não vou programar!". Tá, você pode não programar, mas tem que ter no mínimo uma boa noção de lógica de programação, mesmo que vá trabalhar com outras atividades. Além do mais, o mercado hoje cobra que se saiba de tudo.

- Esteja consciente de que passar um dia inteiro à frente do computador não é divertido. Você não vai estar batendo papo no messenger e navegando na internet, vai estar trabalhando em uma atividade que exige um alto grau de concentração. Claro que não é o tempo inteiro, mas uns 80% do tempo, pelo menos.

Uma última observação: Não estou desestimulando as pessoas a fazer estes cursos, de forma alguma! Eu fiz faculdade de Ciências da Computação e adorei, sei que esta é a minha praia e não consigo me ver trabalhando com outra coisa. Talvez por eu ser tão apaixonada pelo curso, acabei sem querer estimulando minha irmã a fazer também, mas ela não se adaptou e acabou saindo. Da mesma forma que apoiei quando ela entrou no curso, também apoiei quando decidiu sair, porque assim ela poderia fazer o que realmente gosta. E isso é o mais importante.

Escrito por Cynara Peixoto
Mercado

10 Comentários

Marcos disse:

Convcordo plenamente com a autora. Presenciei iss quando estava na faculdade. Vi muita gente desistindo quando estavam fazendo lógica de progranação.

em 09/10/2007 às 8:59 am

Cynara,
Esse é um dos grandes problemas na universidade, ou talvez de quem deseja fazer uma.
Procurar o máximo de informação sobre o curso e a carreira escolhida, para depois não se decepcionar.
Eu por exemplo gosto muito de informatica, mas por causa de programação, lógica… resolvi escolher outra área que também tinha afinidade.
Eu acredito que forçar a barra nisso, vai deixar a pessoa frustrada, e em muitos casos desistir do curso.
abs

em 09/10/2007 às 9:44 am

Falou e disse!
Esse também é meu medo. Não sei o que há, mas sempre penso nisso. Fico imaginando, qual será a profissão do futuro?
Cá entre nós, Webdesign já tá virando modinha…

Abraço, Newton Calegari

em 09/10/2007 às 1:59 pm
Cynara disse:

Eu assisti na faculdade uma grande quantidade de abandono de curso. E assim aconteceu com vários colegas que estudaram em outras universidades. Uma pena, pois se eles soubessem antes como é o curso, será que eles teriam tentado e perdido tempo?

Newton, realmente a questão do webdesign está ficando preocupante, hoje qualquer um vira designer. Como vai estar o mercado daqui a uns 3 anos? Por falar nisso, já viram o site Causos Reais de um Webdesigner? :D

em 09/10/2007 às 2:14 pm

Ótimo texto!
To cursando ensimo médio com técnico de informática, to no 1o ano, e o número de desistências do técnico foi perto de 20 alunos. Fora aqueles que já estão reprovados mais não admitem.

Lógica de programação é o que o pessoal mais reclama, quero ver quando chegarmos a programação mesmo, pascal, java… todo mundo quer saber mesmo é de web design, que ao contrário dos outros, não é muito minha praia.

To com 15 anos, já decidi que quero seguir com informática, e não acho que vou mudar, ano que vem pego um estágio e vou ter mais noção de como é.

em 09/10/2007 às 4:22 pm

Bem faz o Lucas, pegar um estágio é bem melhor do que começar um curso superior sem ter idéia do que se trata.
Sou estudante de Jornalismo, mas gosto muito de informática. Parabéns pelo texto.
Outra coisa: A questão dos WebDesigner é sempre complicada, os profissionais de diagramação não informatizados reclamam que com o advento da informática qualquer um se acha WEB, qualquer um se acha capaz de produzir algo estéticamente bonito usando meia dúzia de layouts mais meia dúzia de fontes prontas, e agora reclamam que o título de Web se dá a qualquer um, acho que é uma briga sem fim.
De mais a mais, segundo a opinião dos artistas plásticos, os WebDesigners estão tendo aquilo que merecem que é a substuição deles por qualquer outra coisa, como aconteceu com os proprios diagramados não – informatizados.
Abraço.

em 09/10/2007 às 9:03 pm
Samara disse:

Cy, ótimo teu post
Eu sou o exemplo vivo que ela citou (hehe). Entrei no curso de computação não só pela influência da Cy, mas pq eu achava q era um campo bom e que podia me dar uma boa renda futura.
Eu já sabia o que me esperava pois sempre via o material dea, mas quando a gente tá de fora, é tudo diferente.
Eu ia fazer vest para Biologia, e de última hora mudei o curso. Entrei na computação e digo que realmente perdi 2 anos e meio… eu passava nas disciplinas mas não fixava nada, só estudava para passar… cheguei em um ponto que não aguentava mais… e não desisti antes porque todo mundo dizia que depois melhorava, que o curso é chato só no começo… mas não deu.
Mudei de curso , hoje faço Biologia, vou me formar no próximo ano e AMO meu curso. Me integrei totalmente a faculdade, estou participando de projetos, faço parte do CA… é outra coisa fazer o que se gosta.
Quem for fazer vestibular, cuidado! Não pense em dinheiro, pense no que vocÊ gosta. Fazendo um curso mais simples, mas que vc se dedique totalmente vc tb pode ganhar dinheiro.
Não pecam o tempo que eu perdi!

em 10/10/2007 às 6:42 pm

Atualmente faço faculdade de Ciências Contábeis, mas antes me formei em técnico de contabilidade e administração, além de ter feito cursos de informática, inglês, espanhol, marketing e vendas etc. Por tudo que aprendi até hoje, vejo que a essência está mesmo no fato de aprendermos a ser empreendedores desde criança e não ficar nesse negócio de achar que o que aprendemos já basta. É preciso que a educação brasileira torne o aluno empreendedor desde pequeno com exemplos na prática. Quando for um adulto saberá melhor o que fazer da vida e provavelmente criará algo que ainda não exista e possa mostrar que o que ele aprendeu mesmo foi a empreender e misturou isso ao seu conhecimento de vida junto com sua especialização técnica.

em 10/10/2007 às 9:33 pm

Eu me classifico no item c citado pelo autor. Fiz o curso de analizes de sistema, sou formado na área e realmente é para quem gosta!! E um curso bem dificil. Assim que terminei esse curso eu comecei outro, hoje eu sou Medico Veterinário

em 11/10/2007 às 2:27 am

Pois é como sempre falo,a gente tem que fazer o que gosta,só assim nos dedicamos e fazemos a coisa c/ gosto e vontade,amor mesmo,fazer determinado serviço por obrigação e ter que fazer pra ganhar a grana do mês é isso,mas fazer a coisa c/ vontade,mesmo ganhando pouco,vç se sente realizado (a) pois esta fazendo o que gosta,e é mais produtivo.

em 11/10/2007 às 10:52 pm

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