Estes dias estive lendo o livro Second Life, Guia de Viagem, escrito por Edgard Damiani, que fala sobre o game que conquista mais usuários a cada dia. Tive uma grata surpresa ao ler este livro. Ele se propõe a ser um Guia de Viagem, mas é um verdadeiro manual para o Second Life.
Escrito em uma linguagem simples e gostosa de ler, o livro vai passo-a-passo ensinando o básico, desde os requisitos mínimos para rodar o Second Life, como configurá-lo e como se cadastrar. Daí passa para a fase dos primeiros passos: como mudar seu visual, como falar, movimentar objetos e voar. A parte mais interessante que achei foi onde Egdard mostra lugares imperdiveis para se conhecer, que todo usuário do Second Life deveria conferir.
O livro também dá dicas de como e onde achar os freebies (acessórios gratuitos disponíveis a todos), como dançar, jogar futebol (sim, é possível!), visitar galerias e museus, ganhar dinheiro, namorar… é, realmente no Second Life é possível fazer muito do que a gente pensa! É simplesmente bizarra a explicação de como se tem filhos no Second Life. Você acredita que o casal tem que simplesmente fazer… bem, leia o livro e daí você saberá com mais detalhes. Só aviso que prepare o bolso, porque assim como na vida real, ter filho no mundo virtual não é fácil, não!
O capítulo que mais me prendeu a atenção foi o de construção de objetos, porque aproveitei para tentar criar alguns objetos no SL, mas acho que como artesã sou uma ótima blogueira!
Mas não é por culpa do autor, pois ele ensina detalhadamente como posicionar, rotacionar, alterar tamanho, forma e textura do objeto. Não é difícil de aprender, só é trabalhoso.
Um lado que muitos esquecem e que é importante conhecer é a vida acadêmica no SL. O Guia de Viagem mostra como e onde encontrar cursos, treinamentos e até faculdades. É um campo pouco explorado, mas com forte tendência de crescimento, usando a EAD (Ensino à Distância).
Usuários mais avançados que programam pelo menos em Javascript vão gostar do capítulo que ensina como criar scripts para animar objetos no Second Live. No livro encontramos alguns comandos básicos (como criar variáveis, laço de repetição, condições…) e não é o propósito dele ensinar a programar. Mas com o que ensina já dá para começar a arranhar alguns códigos interessantes.
Para facilitar a compreensão de tudo isso, o livro vem recheado de imagens e fotos, de forma que qualquer pessoa consegue reproduzir facilmente, inclusive mostrando todos os menus que tem no programa e teclas de atalho para as funções. A sensação é de que o ritmo do livro flui como uma conversa, ensinando sem ser chato.
Entrevista com o autor

A seguir, confira a entrevista que fiz com o autor, Edgard Damiani. Primeiramente, gostaria de agradê-lo por aceitar o convite para falar aos leitores do Mundo Tecno.
Cynara: A primeira coisa que gostaria de saber é quando e como você conheceu o Second Life, e o que mais lhe atraiu no software?
Edgard: Eu conheci o Second Life na mesma época que a maioria dos brasileiros – por volta do final do ano passado. Confesso que, de início, o Second Life não me atraiu – parecia mais uma entre tantas tentativas anteriores de criar universos virtuais. Mas, quando comecei a estudá-lo, vi que havia algo diferente nele… Ele era mais do que uma mistura de MSN e Orkut, ou mais do que um The Sims jogado com gente de verdade – o fato de existirem referências ao mundo real e a tentativa de virtualizá-lo, por meio de empresas e instituições acadêmicas, foram o suficiente para me convencer que estava diante de um embrião da Internet do futuro.
Cynara: Como sugiu a idéia de escrever um livro sobre o SL e quantas “horas de vôo” foram necessárias para escrever o livro?
Edgard: A idéia surgiu de uma conversa com o editor. Ele citou o Second Life e como tudo aquilo simbolizava o futuro, então decidimos apostar na divulgação desse tipo de tecnologia – a tecnologia de criação de metaversos ou, como alguns já chamam, a Web 3D. Foram necessários dois meses mais-do-que-intensos para pesquisar e reunir todo o material apresentado no livro!
Cynara: Durante todo este tempo que usa o Second Life, qual foi a pior e melhor coisa que você encontrou por lá? Porquê?
Edgard: A melhor coisa que encontrei foi, sem dúvida, a liberdade de expressão – você pode ser o que quiser, fazer o que quiser, construir o que quiser. Por outro lado, a pior coisa que encontrei foi o abuso da liberdade de expressão – pessoas fugindo do mundo real, se escondendo dos problemas;
pessoas viciadas em relacionamentos virtuais, como uma extensão natural dos problemas que já enfrentamos no MSN e no Orkut. Infelizmente, os lados bom e ruim são como dois lados de uma mesma moeda: um não vem sem o outro.
Cynara: Como você vê as empresas brasileiras que aderiram ao Second Life? Você acha que isso pode mudar sua forma de relacionamento com os seus clientes ou expandir seus negócios?
Edgard: Sim, sem dúvidas, o Second Life vem se apresentando como mais um canal de comunicação entre empresas e clientes. O meio ainda possui algumas imperfeições nesse sentido, o que é natural de acontecer em programas pioneiros, mas a tendência é que o potencial do metaverso seja pouco a
pouco descoberto, possibilitando a criação de estratégias de marketing inovadoras.
O ambiente é relativamente novo e está passando pela fase de amadurecimento, então ainda estamos para ver o seu verdadeiro potencial.
Cynara: Como no mundo real, sempre há pessoas mal-intensionadas no mundo virtual. Que dicas você daria para pais preocupados em proteger seus filhos deste tipo de gente?
Edgard: Infelizmente, o Second Life Brasil ainda não possui uma versão para menores de 18 anos, se bem que é possível para maiores de 13 anos se cadastrarem na versão em inglês. De qualquer forma, a sugestão que eu posso dar é a mesma que se dá para o uso da Internet: fiscalização.
Seria uma total imprudência deixar um filho solto em um ambiente como a Internet ou o Second Life – seria o mesmo que deixá-lo vagar a esmo pelas ruas da cidade, sem se importar com quem ele conversa ou o que ele faz. Os perigos virtuais são um pouco diferentes dos perigos reais, mas são igualmente danosos.
Cynara: No Second Life, como vimos no livro, encontramos de tudo um pouco. Ainda falta inventar mais alguma coisa? O que você gostaria que criassem no SL que ainda não existe?
Edgard: Depois que vi o sujeito vender abduções alienígenas, acho que posso dizer que já vi de tudo um pouco por lá… O que eu realmente gostaria de ver era a flexibilização do sistema financeiro, permitindo o uso de dinheiro real e, por consequência, o uso de formas de pagamento já existentes, como o cartão de crédito, por exemplo.
Cynara: No livro também encontramos dicas de como achar freebies. Mas caso eu tenha lindens para gastar com bons acessórios para incrementar meu avatar, quais os melhores lugares que você recomenda para visitar?
Edgard: Em Callii (114, 49, 32) você pode pegar freebies de grife que vêm com landmarks para as lojas, onde são vendidos os produtos pagos – vale a pena conferir.
No geral, a maior parte das regiões possuem lojas com acessórios, roupas etc., em diversas faixas de preço. A dica é a seguinte: se você quer comprar, por exemplo, vestidos de dança, será mais fácil encontrá-los próximos a lugares que possuem pistas de dança; se, por outro lado, você deseja comprar roupas medievais, os melhores lugares são as regiões temáticas, como Avilion, por exemplo.
Cynara: Muitos encaram o SL como uma forma de diversão. Mas há quem ultrapasse os limites, ficando horas em frente ao computador e esquecendo a vida real. Que recado você deixaria para estas pessoas?
Edgard: Olha, pra falar a verdade, vai demorar algumas décadas até que a tecnologia consiga se aproximar da complexidade de sensações e sentimentos que apenas a vida real pode oferecer – quero ver alguém me provar que um beijo virtual é igual a um beijo real!
Portanto, só tenho uma coisa a dizer: enquanto esse tempo não chega, VIVAM A VIDA REAL
Serviço:
Second Life, Guia de Viagem
Autor: Edgard Damiani
Editora: Novatec
Ano: 2007
Número de páginas: 240
Preço: R$ 34,30 ou 3x R$ 11,43